Popularidade de Portugal é o principal factor para atrair turista

Conclusão consta de um relatório elaborado pela sociedade Augusto Mateus e pela EY, que coloca as low cost na nona posição na lista de factores que infl uenciam as vendas das agências. A popularidade da “marca Portugal” é o factor que mais se destaca entre aqueles que tiveram uma influência positiva nas vendas das agências de viagens, com 86% de respostas positivas a um inquérito elaborado pela Augusto Mateus & Associados e pela EY junto dos associados da APAVT. Segue-se a dimensão do mercado (medido pela intensidade turística), com 73%, e mais abaixo na tabela a “situação dos mercados emissores” (quinta posição, com 64% de respostas positivas) ou o “crescimento das companhias aéreas low cost” (nona posição, com 45%). Sector das agências de viagens “tem espaço para consolidação” Sector das agências de viagens “tem espaço para consolidação” Os dados foram apresentados esta sexta-feira em Macau, onde decorre o 43º congresso nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT). Promovido por esta associação e coordenado por Sandra Firmino, economista da EY, o documento, além de evidenciar uma série de dados sobre o sector, mostra também o outro lado do espelho: Qual a principal ameaça? A “concorrência directa por parte dos fornecedores”, como hotéis e empresas de aviação, com 88% de respostas, seguindo-se a legislação fiscal. Destaca-se também, em quarto lugar, a opinião pública que “associa preços mais elevados às reservas através das agências de viagens”, com 64%, ou a concorrência das agências online (como o Booking), que surge em sétimo lugar, com 60%. O estudo, que se debruça sobre o valor económico da distribuição turística em Portugal, mostra os grandes números do sector que, em 2016, e num contexto de crescimento, era composto por 2033 empresas, gerou um volume de negócios de 2131 milhões de euros e empregou quase dez mil pessoas. Ao calcular o valor económico do sector da distribuição turística, chega-se a vários números, conforme o universo abrangido, mas que na sua versão mais alargada chega aos 3240 milhões de euros, ou 2,1% PIB. Isto em termos de contributo para a criação de riqueza, em termos de valor bruto acrescentado (VAB) e abrangendo os impactos directos, indirectos e induzidos. O montante apurado, realçou a responsável da EY, “corresponde a 18 vezes o VAB da Autoeuropa”, a fábrica da Volkswagen em Palmela. “Precisamos de mudar a percepção de que o destino centro de Portugal foi todo atingido” “Precisamos de mudar a percepção de que o destino centro de Portugal foi todo atingido” Sublinhando que este é um sector “muito sensível aos ciclos económicos”, que soube recuperar das perdas recentes com “bastante vigor”, Sandra Firmino afirmou que “quase triplicou a rentabilidade das vendas”. Sobre o futuro, este passa, diz, por factores como a eficiência operacional e pela concentração, apostando também em segmento de turistas que valorizem um acompanhamento mais personalizado e planeado. Pelo menos parte disso já parece estar a acontecer, com 74% das empresas a afirmar que a principal medida para responder às ameaças provocadas por mudanças na oferta e no consumo, potenciadas pela digitalização da economia e maior desintermediação, foi a de dar “maior enfoque no tratamento personalizado de cada cliente”. Segue-se a aposta na formação (67%) e o investimento em tecnologia (54%). Poucas horas antes dos dados do relatório serem apresentados, três personalidades tinham feito uma análise da transformação digital e impacto no sector: Paulo Amaral, empresário e professor universitário ligado a estes temas; Ming Fong, director-geral da Travelport para o negócio online na Ásia e Pacífico; e Jeff Archambault, consultor e ex-responsável da Disneylândia de Paris. Algumas das conclusões: a digitalização da economia vai continuar para além da pesquisa/comparação de preços e marcação de viagens por telemóvel a qualquer momento ou local, com máquinas a tratar das questões mais simples (“Do you speak chatbot”?, foi a pergunta algo provocatória de Jeff Archambault) e a realidade virtual a ajudar a escolher o destino após o seu visionamento e experiência sensorial (algo que o Club Med, por exemplo, já faz). Para este responsável, “há oportunidades para quem quer investir”, ou seja, os intervenientes tradicionais podem aplicar recursos em novas tecnologias e em formação, ao mesmo tempo que, num jogo de equilíbrios, devem estar sempre “atentos e ágeis” ao que está a mudar no negócio. De uma coisa tem a certeza este consultor: com o advento da digitalização vai haver perda líquida de postos de trabalho, e serão os menos qualificados a cair primeiro. Para Ming Fong, há que “combinar o melhor das tecnologias com o ângulo humano” para conseguir reagir e conseguir dar o que, diz, querem os clientes: experiências envolventes e mais escolhas, mas personalizadas. Centrado no consumidor, portanto, de forma fiável. Há que “utilizar a tecnologia a nosso favor, para tornar o sector mais forte”, sublinhou Paulo Amaral. Pelo meio, o ex-ministro da Economia de um governo PS e fundador da consultora ligada ao relatório sobre as agências de viagens, Augusto Mateus, já tinha lançado outro tipo de alertas: a recuperação económica em Portugal, “é óbvia, mas tímida e com riscos”. Com a retoma em curso, em 2018 irá produzir-se mais ou menos a mesma riqueza de 2007, com a crise a atravessar-se pelo meio deste período. Como pilar deste crescimento estão as exportações e, dentro delas, o turismo (na área dos serviços). É ao turismo e às viagens, diz Augusto Mateus, que o país “deve a resiliência com que enfrentou” a crise financeira, apresentando-se como peça “fundamental para a reinvenção do crescimento económico em Portugal” – até porque “não há recuperação do crescimento económico perdido”, afirmara antes. E deixou uma mensagem: a de que “Portugal tem de gostar do turismo para isto correr bem”.

Prio encerra lavagens automáticas para combater a seca

Segundo a PRIO, "os encerramentos temporários são ponderados de acordo com o tipo de equipamentos a uso e o nível de seca registado em cada localidade A seca extrema que assola o país está a obrigar as empresas a tomar medidas. A gasolineira Prio anunciou esta quarta-feira que já desativou os sistemas de rega de relvados em todos os seus postos. A partir de hoje serão também encerradas as lavagens automáticas em cinco postos, nas regiões onde a seca é mais grave: Portalegre, Mangualde, Tondela, Mortágua e Oliveira de Frades. Em comunicado, a empresa sublinha que a medida pode estender-se a outras regiões, “de acordo com o evoluir da situação”. Segundo a empresa, “os encerramentos temporários são ponderados de acordo com o tipo de equipamentos a uso e o nível de seca registado em cada localidade”. Além destas medidas, a Prio instalou reguladores de caudal em todas as torneiras dos postos e nas instalações centrais e redutores de capacidade dos autoclismos. A empresa está ainda a tentar sensibilizar os trabalhadores “para boas práticas a seguir na gestão e poupança de água em casa”. Francisco Mendes, Diretor responsável pela rede de postos PRIO, sublinha que a empresa continuará “a acompanhar a situação e a tomar as medidas ao nosso alcance para minorar as consequências desta crise”

Turistas chineses a crescer 40% em Portugal

O turismo chinês está este ano a registar um crescimento de 40% em Portugal, e em cima do aumento de 18% verificado em 2016, salientou Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, no congresso da Associação das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que começou esta quinta-feira, em Macau, com o tema "Turismo: a Oriente tudo de novo ". "Não há dúvida que o mercado chinês é o mercado do futuro, e estas taxas de crescimento em Portugal são fantásticas", destacou a secretária de Estado do Turismo, chamando a atenção para a "vitória histórica, que foi termos conseguido uma linha aérea direta ligando Portugal e a China". Nesta rota, Ana Mendes Godinho salentou que se está a fazer uma promoção conjunta da Península Ibérica, vendendo aos chineses a ideia que "podem conhecer dois países diferentes" e com uma rota a partir de Portugal. Antecipando o crescimento do turismo chinês em Portugal nos próximos anos, Ana Mendes Godinho adiantou ter um "intenso programa de trabalho e encontro com investidores em Macau" à margem do congresso. Um dos programas da secretária de Estado envolve o Instituto de Formação Turística de Macau, "numa lógica de levar estagiários de Macau para hotéis em Portugal que queiram receber turistas chineses".

Produção Industrial vendeu mais 1,3% em 2016

Em 2016 as vendas de produtos e prestação de serviços na indústria transformadora aumentaram para 78,3 mil milhões de euros, mais 1,3% face a 2015. A seguir Clima económico e indicador de atividade económica voltam a estabilizar Mais vistas OE2018 Veja a nova tabela de IRS aprovada com sete escalões FUNÇÃO PÚBLICA Função pública: Carreiras diferentes e salários igualmente muitos diferentes INTELIGÊNCIA 13 sinais de que é mais inteligente do que pensa RESTAURAÇÃO McDonald’s. Agora o seu Big Mac pode ser entregue em casa TURISMO O melhor novo campo de golfe do mundo está em Portugal As vendas de produtos e prestação de serviços na indústria transformadora aumentaram 1,3% em 2016, face a 2015, para um total de 78,3 mil milhões de euros, informa hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE). Os maiores contributos, para o aumento, foram das indústrias alimentares (mais 2,8%), fabricação de máquinas e equipamentos (mais 12,4%) e a fabricação de equipamentos informáticos, equipamento para comunicações e produtos eletrónicos e óticos (mais 15,4%).

Já estão escolhidas as 20 startups de turismo que representarão Portugal em feiras internacionais

O Turismo de Portugal selecionou 20 startups, representativas de um universo empreendedor e inovador no setor do turismo, para integrar a presença nacional nas feiras internacionais dos próximos seis meses. Com o objetivo de estimular a inovação, a internacionalização e a cultura empreendedora das empresas do setor, o Turismo de Portugal desafiou as startups do turismo a candidatar-se à participação nas feiras internacionais dos próximos seis meses. De entre um total de 48 candidaturas, o Turismo de Portugal escolheu: a Infraspeak, Hijiffy, SnapCity, Workzebra, Hotelvoy, Farmer Experience, Go2Nature, Tandem Innovation, Helppier, Climber Revenue Strategy, YnnovBooking, Portugal 4all Senses, myportugalforall, Portuguese Table – Experiências Gastronómicas, Marisa Maganinho, Upstream – Valorização do Território, travel&experiences, City Guru, Green Stays e Social Impactrip. Este grupo desenvolve a sua atividade em áreas como a promoção da acessibilidade no turismo, o desenvolvimento de novas soluções de gestão da atividade de alojamento turístico, a utilização da tecnologia na relação com o consumidor, projetos promotores da gastronomia e vinhos de Portugal e propostas inovadoras de animação turística. Estas empresas terão agora oportunidade de marcar presença na WTM – Londres (6-8 novembro), na IBTM – Barcelona (28-30 novembro), Vakantiebeurs – Utrecht (9-14 janeiro), FITUR – Madrid (17-21 janeiro) e ITB – Berlim (7-11 março).

Oito municípios concentraram mais de metade das exportações da região norte

Famalicão, Maia, Guimarães, Gaia, Santa Maria da Feira, Braga, Porto e Viana do Castelo são, por esta ordem, os municípios que mais exportaram em 2016, ano em que as empresas da região venderam para o estrangeiro mercadorias no valor de 20,5 mil milhões de euros. Vila Nova de Famalicão foi o município campeão das exportações da região norte em 2016, seguindo-se no ranking das vendas para o exterior Maia (7,1%), Guimarães e Gaia (6,8%), Santa Maria da Feira (6,4%), Braga (5,4%), Porto e Viana do Castelo (5,1%). Esta é uma principais conclusões do relatório 'Norte Estrutura', divulgado esta terça-feira pela Comissão de Coordenação da Região Morte (CCDR-N). Ainda de acordo com o relatório ,que cruza as tendências e a evolução económica da região a médio e longo prazo, a atividade exportadora em grande parte do território “é meramente residual”, dado metade dos municípios do norte não ter exportado praticamente nada em 2016. “Mais de metade do valor das exportações de mercadorias do norte foi efetuado em oito dos 86 municípios, responsáveis por 51,5% das exportações, situados no litoral da região”, revelou Fernando Freire de Sousa, presidente da CCDR-N. “Não é novidade, nem um resultado necessariamente negativo para o interior”, referiu à Lusa Freire de Sousa, sustentando que a vocação de alguns municípios está mais direcionada para o mercado interno. Para o líder da CCDR-N, relevante é o desempenho da região, que representa 40% das exportações nacionais. Em 2016, as empresas com sede no norte exportaram mercadorias no valor global de 20,5 mil milhões de euros e realizaram importações de 14,7 mil milhões de euros, gerando um excedentário de aproximadamente 5,8 mil milhões de euros, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística apresentados no relatório 'Norte Estrutura'. A CCDR-N aponta ainda para um crescimento médio continuado de 5,9%/ano entre 2013 e 2016, mantendo-se Espanha como principal parceiro comercial da região no mercado internacional de mercadorias. O sector têxtil-vestuário dominou as exportações, responsável por quase um quinto do valor total das vendas para fora do país, seguindo-se a fileira de produtos da indústria automóvel e o sector florestal. Paulo Cunha, presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão, sublinha que os números confirmam, “mais uma vez, a forte dinâmica empresarial e a competitividade do território, bem como a capacidade de resiliência dos famalicenses, em particular dos empresários”. Ao Expresso, o autarca recordou que os resultados do documento da CCDR-N não surpreendem, uma vez que o município é já há vários anos o maior exportador do norte e o terceiro maior de Portugal, a que se soma “o feito de ter a segunda balança comercial mais favorável do país”. Paulo Cunha justifica a capacidade exportadora de Famalicão por ser o epicentro de uma fileira industrial completa, principalmente nos sectores têxtil, agroalimentar e da metalomecânica: “Produzir e exportar mais significa mais emprego e traduz um território mais competitivo, impulsionando mais crescimento dentro do município” Eduardo Vítor Rodrigues também reagiu aos dados revelados pela CCDR-N, atribuindo, em parte, o crescente papel de Vila Nova de Gaia nas exportações da região norte ao impulso do município à economia local, “através de um sistema de incentivos fiscais e outras medidas de apoio às empresas que se instalem ou expandem o negócios no concelho”. O presidente da Câmara de Gaia aponta como exemplo de sucesso a iniciativa Go.On - invest in Gaia, um pacote de medidas para atrair investimento e promover a criação de emprego, como o licenciamento zero (isenções nos processos de licenciamento), via verde para o investimento (agilização de processos burocráticos) e reduções fiscais na derrama, na taxa de resíduos sólidos e na taxa de publicidade. "Só assim será possível manter esta tendência e continuar na linha da frente dos municípios mais exportadores da região e do país", refere o autarca em comunicado.

Aeroporto Humberto Delgado aguenta até 49 milhões de passageiros

Antes da solução complementar no Montijo, o aeroporto de Lisboa pode chegar aos 44 movimentos por hora. Montijo servirá low cost e companhias de bandeira. A proposta da ANA — Aeroportos de Portugal para o aumento da capacidade aeroportuária de Lisboa, com a construção de uma nova infraestrutura no Montijo, já foi entregue ao Governo. A autorização ambiental para a abertura da infraestrutura no Montijo é aguardada no primeiro semestre de 2018, segundo o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, que espera que depois arranquem as obras e sejam respeitados os prazos previstos no memorando assinado em 15 de fevereiro entre o Governo e a ANA, gerida pela Vinci Airports. O Montijo “é uma solução capaz de cumprir todos os requisitos exigidos, com durabilidade e rapidez de execução, sendo possível a sua conclusão a três/quatro anos, e que vai duplicar o crescimento na região de Lisboa”, afirmou Pedro Marques esta semana, na comemoração dos 75 anos do aeroporto de Lisboa. Até lá, a ANA está empenhada em fazer face ao crescimento do tráfego na Portela. Em declarações ao Expresso, Carlos Lacerda, presidente executivo da concessionária, dá conta do plano de contingência da empresa, contabilizando que o Aeroporto Humberto Delgado tenha capacidade para chegar aos 49 milhões de passageiros por ano (este ano deverá totalizar 26 milhões). Os cálculos pressupõem o aumento do número de movimentos por hora, para 44, e que o horário de funcionamento passe de 18 horas diárias para 20 (o que necessita de autorização camarária). As contas da ANA multiplicam o número de passageiros médio por voo (180) pela taxa de ocupação média (85%), vezes os 44 movimentos por hora, as 20 horas diárias e os 365 dias do ano, o que totaliza 49 milhões de passageiros ao ano. Mas há constrangimentos a este cenário de crescimento da capacidade aeroportuária. A possibilidade de elevar o número de movimentos por hora dos atuais 38 para 44 depende do espaço aéreo disponível, “que é hoje maioritariamente preenchido pelo tráfego militar (servido por quatro bases: Sintra, Alverca, Montijo e Alcochete)”, mas também do estacionamento das aeronaves. Carlos Lacerda compara as limitações do espaço aéreo com a situação de “ter uma autoestrada de seis vias e apenas utilizar uma”, sublinhando que, “mesmo que o espaço aéreo fosse totalmente libertado, é necessário que haja capacidade no controlo aéreo”, referindo-se ao novo software de controlo aéreo da NAV, previsto na proposta de Orçamento do Estado para 2018. “Se nos derem o espaço aéreo, do terminal tratamos nós”, afirma. Ciente de que este plano de contingência, até que o Montijo esteja a operar, depende destes atuais constrangimentos, o responsável apela a um diálogo construtivo, de modo a flexibilizar o espaço aéreo civil com o militar, sendo que continua a decorrer o diálogo com a NAV e com a Força Aérea. Mas “não basta termos o terminal, o estacionamento também é crítico”. Daí que o encerramento da pista 17/35 seja “necessário como solução para estacionamento”. PARA QUE SERVIRÁ O MONTIJO? O plano da ANA também tem o objetivo de reduzir o tempo mínimo de conexão, que está dependente do tratamento de bagagem, do tratamento dos passageiros, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e da posição de estacionamento dos aviões (de contacto ou remoto). O Montijo servirá, assim, a tipologia ponto a ponto (companhias que operam apenas tráfego de um aeroporto para outro, sem assegurar transferências para outros voos), enquanto a função hub (para companhias que transferem passageiros de e para diversos destinos) será operada no Aeroporto Humberto Delgado. Ou seja, uma mesma companhia aérea, seja de bandeira ou de baixo custo, poderá fazer uma ligação China-Lisboa-Paris na Portela, mas fará uma ligação Lisboa-Madrid no Montijo. A TAP, porém, que utiliza o Humberto Delgado como hub, “vai ficar integralmente” na Portela. “O Aeroporto Humberto Delgado será muito bom para o desenvolvimento da TAP”, garante Thierry Ligonnière, administrador e diretor de operações da ANA. O elevado minimum conecting time (tempo mínimo de transferência entre voos) na Portela (superior a uma hora) tem penalizado a sua função de hub. Assim como o rácio de posições em contacto (30%) e remotas (70%), que devia ser o inverso. É esse o rácio que a ANA tem previsto para o Montijo. Com uma área de construção de cerca de 76 mil metros quadrados, a atual base aérea militar do Montijo terá uma pista com 2400 metros e um edifício que se desenvolve de forma triangular, combinando áreas abertas e fechadas entre o terminal e a praça. Carlos Lacerda salienta o impacto económico que o aeroporto terá no Montijo, na medida em que criará emprego (rácio de mil postos de trabalho por cada milhão de passageiros), e o impacto tecnológico (com controlo biométrico e veículos de condução autónoma), o que representará um acréscimo de mão de obra qualificada.

Abramat: indústria de materiais de construção tem 1ª alta nas vendas desde 2014

As vendas da indústria de materiais de construção no País em setembro cresceram 0,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar de o avanço ainda ser leve, essa é a primeira alta registrada pelo setor desde fevereiro de 2014, de acordo com levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção (Abramat). Já no acumulado do ano, a indústria teve queda de 5,3% nas vendas, enquanto nos últimos 12 meses a baixa é de 7,1%. Segundo o presidente da Abramat, Walter Cover, o resultado de setembro foi positivo graças às vendas da indústria para o varejo, que têm mostrado crescimento. Já a comercialização de materiais para a construção de prédios residenciais e comerciais, além de obras de infraestrutura, seguem em baixa. "A recuperação será gradual, uma vez que persistem as principais causas da baixa demanda, ou seja, desemprego alto, crédito dificultado, juros elevados e baixa atividade de novas edificações e de obras de infraestrutura", ponderou Cover. Pelas estimativas da Abramat, as vendas do setor deverão encerrar o ano com queda de 5%. O levantamento mostrou também que setor continua cortando vagas de emprego. A quantidade de pessoas empregadas na indústria de materiais caiu 5,1% em setembro e recuou 6,1% no acumulado do ano.

Custos da construção de habitação nova aumentam 1,6% num ano

Os custos da construção de habitação nova em Portugal (no continente) aumentaram 1,6% em agosto face ao mesmo mês do ano anterior. Uma subida homóloga superior à registada em julho (0,1%). Esta aceleração do índice de custos de construção de habitação nova foi determinada pela componente materiais, que teve um aumento homólogo de 0,8% em agosto. Já a variação da mão de obra se manteve em 2,1%. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), “as variações homólogas dos índices relativos a apartamentos e moradias fixaram-se ambas em 1,6%” em agosto. No que diz respeito ao índice de preços de manutenção e reparação regular da habitação, registou um aumento homólogo de 2,5% em agosto. Já a taxa de variação do índice da componente Produtos desceu 0,6% face ao mês anterior, para -0,2%, enquanto a componente Serviços subiu 0,1% face a julho, para 3,4%. Por regiões, em agosto, só o Alentejo e o Algarve registaram uma descida homóloga nos preços da manutenção e reparação regular da habitação: 0,1% nos dois casos. Em todas as restantes regiões do continente verificaram-se aumentos, “sendo a variação mais elevada observada na Área Metropolitana de Lisboa (4,8%)”.

Construção regista “crescimentos mais intensos” dos últimos 20 anos

Apesar de registar recordes de vendas e assimilar a inversão da tendência de redução do investimento público, a Confederação da Construção diz que peso do sector ainda tem de crescer muito e pede medidas específicas no OE. As obras públicas contratadas no primeiro semestre aumentaram 86% em termos homólogos, para 829,5 milhões de euros, e os concursos lançados subiram 88%, para 1382,2 milhões de euros, segundo a Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços (AECOPS). E o primeiro semestre de 2017 bateu também o recorde dos últimos nove anos em termos de transacções semestrais de fogos habitacionais, tanto em número (72 mil fogos) como em valor (8,9 mil milhões de euros), segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística trabalhados pela Federação da Construção (Fepicop). O resultado de todos estes indicadores permitirá sistematizar “os crescimentos mais intensos nos últimos 20 anos” tanto na formação bruta de capital fixo como no valor acrescentado bruto da construção (respectivamente, 9,6% a FBCF e 7,5% o VAB). Mas, mesmo assim, são taxas de crescimento que partem “de uma base terrivelmente pequena, depois da erosão expressiva que sofreu o sector nos últimos 30 anos”. O investimento em construção atingiu um pico em 2001, com 30,2 mil milhões de euros, para cair para menos de metade em 2014, com 12,9 mil milhões. Actualmente, refere Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, CPCI, “estamos ao nível de 1986 e isso não deixa de ser lamentável num país em que o sector da construção continua a representar 51% do investimento”. É por isso que a CPCI defende que no próximo Orçamento de Estado (OE) o Governo terá de tomar medidas que, de facto, concretizem o investimento público e que potenciem o investimento privado. “Na realidade, e apesar dos anúncios de que 2017 já era o Orçamento em que o investimento público voltava a ganhar peso, pouco se concretizou”, critica Reis Campos, sublinhando que nem obras potenciadas pelo plano Juncker, ou mesmo pelo Portugal 2020, chegaram ao terreno com a dimensão anunciada. “Depois do túnel do Marão não houve mais nada”, critica Reis Campos, lembrando o extenso número de intervenções necessárias que já teriam sido objecto de consenso num plano elaborado pelo Grupo de Trabalho para as Infra-estruturas de Elevado Valor Acrescentado (GTIEVA) e que ainda estão na gaveta. “Das 53 obras ali listadas só avançaram 13. Percebo que o Governo queira estabilizar as decisões para o pós 2020, mas o importante mesmo é que as decisões se concretizem”, considera Reis Campos. O presidente da CPCI refere-se à iniciativa promovida pelo Governo para discutir com os parceiros que projectos deverão ser apostas no próximo ciclo comunitário, mas também às palavras do primeiro-ministro, que alertou para a necessidade de haver estabilidade e consenso nas decisões para as grandes obras públicas como as que estão previstas para o Aeroporto de Lisboa ou o terminal de contentores do Barreiro. Reis Campos não deixa de sublinhar que há sempre uma diferença muito grande entre os concursos que são lançados e aqueles que são efectivamente celebrados. Em 2016 foram promovidas obras no valor de 1757 milhões de euros, mas os contratos celebrados ficaram-se pelos 1100 milhões. De acordo com os dados revelados pela AECOPS, pelo terceiro ano consecutivo não foi contratada nenhuma obra da classe nove (que implique um valor superior a 16,6 milhões de euros) durante os primeiros seis meses do ano. As obras relativas à construção de redes de energia, redes de abastecimento de água e a infra-estruturas de transportes “foram as responsáveis pela parcela mais significativa” do investimento contratado – 307 milhões de euros, ou seja, 37% do total, mas foram as obras relacionadas com os acabamentos em edifícios “que registaram o maior dinamismo”, crescendo 140% face ao primeiro semestre de 2016. Do lado dos concursos promovidos já é possível encontrar obras de maior valor (há duas de classe 9, a maior com um valor de 90 milhões de euros), notando a AECOPS também um maior recurso a procedimentos como o concurso limitado por prévia qualificação que alocou quase 10% dos valores postos a concurso. Ou como o concurso público urgente, que não tinha sido utilizado no primeiro semestre de 2016 e que este ano foi usado para lançar 11 obras, no montante global de cerca de 10 milhões de euros. Entre as medidas que poderão potenciar o investimento privado, o presidente da CPCI refere a necessidade de “estabilidade fiscal” e critica a injustiça que é criar impostos como o AIMI (adicional ao imposto municipal de imóveis) que, afinal, “mais não faz do que penalizar uma indústria por não conseguir escoar o seu stock”.