Aeroporto Humberto Delgado aguenta até 49 milhões de passageiros

Antes da solução complementar no Montijo, o aeroporto de Lisboa pode chegar aos 44 movimentos por hora. Montijo servirá low cost e companhias de bandeira. A proposta da ANA — Aeroportos de Portugal para o aumento da capacidade aeroportuária de Lisboa, com a construção de uma nova infraestrutura no Montijo, já foi entregue ao Governo. A autorização ambiental para a abertura da infraestrutura no Montijo é aguardada no primeiro semestre de 2018, segundo o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, que espera que depois arranquem as obras e sejam respeitados os prazos previstos no memorando assinado em 15 de fevereiro entre o Governo e a ANA, gerida pela Vinci Airports. O Montijo “é uma solução capaz de cumprir todos os requisitos exigidos, com durabilidade e rapidez de execução, sendo possível a sua conclusão a três/quatro anos, e que vai duplicar o crescimento na região de Lisboa”, afirmou Pedro Marques esta semana, na comemoração dos 75 anos do aeroporto de Lisboa. Até lá, a ANA está empenhada em fazer face ao crescimento do tráfego na Portela. Em declarações ao Expresso, Carlos Lacerda, presidente executivo da concessionária, dá conta do plano de contingência da empresa, contabilizando que o Aeroporto Humberto Delgado tenha capacidade para chegar aos 49 milhões de passageiros por ano (este ano deverá totalizar 26 milhões). Os cálculos pressupõem o aumento do número de movimentos por hora, para 44, e que o horário de funcionamento passe de 18 horas diárias para 20 (o que necessita de autorização camarária). As contas da ANA multiplicam o número de passageiros médio por voo (180) pela taxa de ocupação média (85%), vezes os 44 movimentos por hora, as 20 horas diárias e os 365 dias do ano, o que totaliza 49 milhões de passageiros ao ano. Mas há constrangimentos a este cenário de crescimento da capacidade aeroportuária. A possibilidade de elevar o número de movimentos por hora dos atuais 38 para 44 depende do espaço aéreo disponível, “que é hoje maioritariamente preenchido pelo tráfego militar (servido por quatro bases: Sintra, Alverca, Montijo e Alcochete)”, mas também do estacionamento das aeronaves. Carlos Lacerda compara as limitações do espaço aéreo com a situação de “ter uma autoestrada de seis vias e apenas utilizar uma”, sublinhando que, “mesmo que o espaço aéreo fosse totalmente libertado, é necessário que haja capacidade no controlo aéreo”, referindo-se ao novo software de controlo aéreo da NAV, previsto na proposta de Orçamento do Estado para 2018. “Se nos derem o espaço aéreo, do terminal tratamos nós”, afirma. Ciente de que este plano de contingência, até que o Montijo esteja a operar, depende destes atuais constrangimentos, o responsável apela a um diálogo construtivo, de modo a flexibilizar o espaço aéreo civil com o militar, sendo que continua a decorrer o diálogo com a NAV e com a Força Aérea. Mas “não basta termos o terminal, o estacionamento também é crítico”. Daí que o encerramento da pista 17/35 seja “necessário como solução para estacionamento”. PARA QUE SERVIRÁ O MONTIJO? O plano da ANA também tem o objetivo de reduzir o tempo mínimo de conexão, que está dependente do tratamento de bagagem, do tratamento dos passageiros, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e da posição de estacionamento dos aviões (de contacto ou remoto). O Montijo servirá, assim, a tipologia ponto a ponto (companhias que operam apenas tráfego de um aeroporto para outro, sem assegurar transferências para outros voos), enquanto a função hub (para companhias que transferem passageiros de e para diversos destinos) será operada no Aeroporto Humberto Delgado. Ou seja, uma mesma companhia aérea, seja de bandeira ou de baixo custo, poderá fazer uma ligação China-Lisboa-Paris na Portela, mas fará uma ligação Lisboa-Madrid no Montijo. A TAP, porém, que utiliza o Humberto Delgado como hub, “vai ficar integralmente” na Portela. “O Aeroporto Humberto Delgado será muito bom para o desenvolvimento da TAP”, garante Thierry Ligonnière, administrador e diretor de operações da ANA. O elevado minimum conecting time (tempo mínimo de transferência entre voos) na Portela (superior a uma hora) tem penalizado a sua função de hub. Assim como o rácio de posições em contacto (30%) e remotas (70%), que devia ser o inverso. É esse o rácio que a ANA tem previsto para o Montijo. Com uma área de construção de cerca de 76 mil metros quadrados, a atual base aérea militar do Montijo terá uma pista com 2400 metros e um edifício que se desenvolve de forma triangular, combinando áreas abertas e fechadas entre o terminal e a praça. Carlos Lacerda salienta o impacto económico que o aeroporto terá no Montijo, na medida em que criará emprego (rácio de mil postos de trabalho por cada milhão de passageiros), e o impacto tecnológico (com controlo biométrico e veículos de condução autónoma), o que representará um acréscimo de mão de obra qualificada.

Abramat: indústria de materiais de construção tem 1ª alta nas vendas desde 2014

As vendas da indústria de materiais de construção no País em setembro cresceram 0,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar de o avanço ainda ser leve, essa é a primeira alta registrada pelo setor desde fevereiro de 2014, de acordo com levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção (Abramat). Já no acumulado do ano, a indústria teve queda de 5,3% nas vendas, enquanto nos últimos 12 meses a baixa é de 7,1%. Segundo o presidente da Abramat, Walter Cover, o resultado de setembro foi positivo graças às vendas da indústria para o varejo, que têm mostrado crescimento. Já a comercialização de materiais para a construção de prédios residenciais e comerciais, além de obras de infraestrutura, seguem em baixa. "A recuperação será gradual, uma vez que persistem as principais causas da baixa demanda, ou seja, desemprego alto, crédito dificultado, juros elevados e baixa atividade de novas edificações e de obras de infraestrutura", ponderou Cover. Pelas estimativas da Abramat, as vendas do setor deverão encerrar o ano com queda de 5%. O levantamento mostrou também que setor continua cortando vagas de emprego. A quantidade de pessoas empregadas na indústria de materiais caiu 5,1% em setembro e recuou 6,1% no acumulado do ano.