Exportações de cerâmica e cristalaria em níveis recorde em 2016

O ano passado foi o melhor de sempre para as exportações de produtos cerâmicos e de cristalaria. As exportações de cerâmica ascenderam a 701 milhões de euros, enquanto as de cristalaria se cifraram nos 82 milhões de euros, o que representa uma variação anual de 6,3% no primeiro caso e de 13% no segundo, acima dos 0,9% registados pelo total das exportações nacionais. O bom desempenho das exportações de cerâmica reflectiu-se também na sua contribuição para a balança comercial portuguesa, que se cifrou, em 2016, nos 573 milhões de euros, com uma taxa de cobertura das importações pelas exportações de 547%, acima dos 82,4% da taxa de cobertura média para o conjunto de bens. Este foi o terceiro melhor desempenho em termos globais (a seguir aos minérios e às pastas de madeira) e o sétimo melhor desempenho em termos do saldo de comércio internacional. França é o principal destino das exportações de cerâmica Em 2016, a cerâmica portuguesa chegou a 163 mercados internacionais. Para o conjunto de produtos cerâmicos (onde se inclui a cerâmica utilitária e decorativa, pavimentos e revestimentos, louça sanitária, telhas e outros), França é o principal mercado de destino, seguindo-se Espanha, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Pouco mais de 70% do valor total exportado corresponde ao mercado intra-comunitário e perto de 30% ao mercado extra-comunitário. Já o saldo da balança comercial de cristalaria foi de 40 milhões de euros. Já a taxa de cobertura das importações pelas exportações ascendeu a 196%. No ano passado, a cristalaria nacional chegou a 118 mercados internacionais, sendo Espanha o país de destino principal, seguindo-se os Países Baixos, Alemanha, França e Estados Unidos. Cerca de 75% do valor total de produtos de cristalaria exportados dirigiu-se ao mercado intracomunitário e quase 25% a clientes do mercado extracomunitário. «O design, a qualidade, a aposta na inovação são alguns dos atributos que têm pesado nestes valores francamente positivos para a indústria cerâmica e cristalaria. E não obstante a grave crise económica que afectou o sector e a já famigerada concorrência desleal de países terceiros, em particular dos países asiáticos, não deixa de ser admirável este valor recorde das nossas exportações em 2016», explica José Sequeira, presidente da Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria (APICER). Distrito de Leiria contribuiu para 12% das exportações nacionais de cerâmica Não existem valores desagregados por distrito para a cristalaria, mas sabe-se, no caso dos produtos cerâmicos, segundo dados do INE, que o distrito de Leiria exportou 171,3 milhões de euros em 2016, que representa um acréscimo de 7% face ao ano anterior e 12% das exportações totais de cerâmica portuguesas naquele ano.

Fundos comunitários e eleições autárquicas prometem impulsionar Obras Públicas

Empreitadas de baixo valor, adjudicadas por menos donos de obras e a mais empresas de construção, uma tendência que, de resto, já havia sido detetada no 1º semestre do ano, marcaram, em 2016, o mercado das Obras Públicas. É um quadro que reflete, por um lado, o reduzido volume do investimento público, a ausência de novos projetos relevantes e, por outro, um escasso número de empresas, cerca de 7% das empresas registadas no IMPIC, a executarem obras para entidades públicas. No entanto, os concursos promovidos no período em análise prometem trazer a este segmento da atividade da Construção uma outra pujança, nomeadamente a partir de 2017. Segundo a análise detalhada do comportamento das Obras Públicas habitualmente promovida pela AECOPS a partir da informação divulgada pelo portal BASE, e agora atualizada sob o título “Os números do Mercado de Obras Públicas em 2016”, no ano passado, 990 donos de obra contrataram empreitadas com um valor médio de 352 mil euros a 3.269 empresas. Do documento que agora se divulga, e no que se refere aos contratos celebrados, destaca-se ainda: - a recuperação de 17% face a 2015 no montante de contratos de obras públicas celebrados, que atingiu 1.150 milhões de euros; - a redução do número de donos de obra com contratos de obras públicas, que foi mesmo o mais baixo dos últimos quatro anos: 990 entidades contratantes, face a 1.409 em 2013; - o aumento do número médio de contratos celebrados por dono de obra, que foi o mais elevado dos últimos 4 anos (12 contratos) e um dos mais elevados por empresa (3,6 contratos por empresa, média apenas ultrapassada pelos 3,7 de 2013). Porém, no que diz respeito aos concursos promovidos, a análise da AECOPS revela que, em 2016, cerca de 500 donos de obra (+9% do que no período homólogo) lançaram mais procedimentos (+30% do que em 2015) e com um valor médio de 725,6 mil euros (face a 672 mil euros no ano anterior, ou seja, +41%). Neste caso, os números traduzem uma recuperação do investimento público, com o lançamento de novos projetos de maior valor, muito deles financiados com fundos comunitários do Portugal 2020, em linha com o ciclo eleitoral e com a realização de eleições autárquicas no último trimestre de 2017. Recorde-se que no “Relatório do Mercado de Obras Públicas – Os números do Mercado de Obras Públicas em 2016” podem ainda ser encontrados, para além dos números e valores totais, nacionais e por região, e valores médios dos contratos celebrados e dos concursos promovidos, outros dados caracterizadores deste mercado, tais como a identificação dos donos de obra e das empresas por eles contratadas, as áreas de investimento e os tipos de procedimento utilizados, entre outros.